sábado, 21 de setembro de 2013

Mais um acerto de contas no bairro do Marco

Foto: @JoseErruas  
Por volta de 20 horas deste movimentado sábado (21) na capital paraense, os moradores da passagem Jarina, esquina da travessa humaitá, Bairro do Marco, escutaram três disparos de arma de fogo. Ao correr para ver o que havia ocorrido, se depararam com o óbito do jovem que aparentava ter aproximadamente 20 anos de idade, conhecido pelo vulgo de RATO.
Supostamente vitima de acerto de contas pelo Trafico de Drogas, de acordo com os centenas curiosos que se aglomeravam no local do trágico homicídio, Rato seria morador da Avenida Cipriano Santos, no bairro da Terra Firme e teria suposto envolvimento com o submundo do crime em nossa área.

O problema da criminalidade e da violência nos grandes centros urbanos não pode ser reduzido de maneira simplista à questão da pobreza. A associação determinista bandido/pobreza deve ser combatida e repensada se quisermos refletir verdadeiramente acerca da questão da violência e do tráfico de drogas, suas reais causas e sua lógica estrutural. Não podemos simplesmente tomar os pobres, em geral, como agentes da violência, de forma a “demonizar” usuários e traficantes. Isso alimenta uma concepção absoluta do mal, fomentada pela mídia, e cria um medo geral na população, aumentando ainda mais o preconceito social.

É preciso entender a criminalidade no Brasil dentro de um panorama internacional; isto é, pensar os jovens como agentes e vítimas da violência urbana, traço cujo qual o Brasil segue padrões internacionais. Ainda, é necessário lembrar que o tráfico não subsiste sem o apoio institucional do Estado, pois o tráfico, antes da causa, é consequência direta e indireta da lógica da sociedade moderna e das leis que a regem: “a erosão dos valores não começa nas favelas, e muito menos a elas se restringe; os maus exemplos que vêm do alto têm um efeito devastador, à luz do que as favelas e os traficantes são meras caixas de ressonância”.